EXPOSIÇÃO "O TEMPO E EU (E VC), CÂMARA CASCUDO NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA” É INAUGURADA EM SÃO PAULO Estudioso que dedicou a vida a nossos costumes, fé, medos e comida, o folclorista potiguar Câmara Cascudo teve inaugurada, num dos mais importantes centros culturais da América Latina -o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo - no último dia 20, uma mostra inédita e interativa sobre o seu universo de estudo, e que permanecerá durante quatro meses, com estimativa de 100 mil visitantes. A exposição "O Tempo e Eu (e Vc)" fica em cartaz até 14 de fevereiro de 2016. Escritor e folclorista, nascido em Natal, Rio Grande do Norte, em 30 de dezembro 1898 e falecido na mesma cidade, em 30 de julho de 1986, Câmara Cascudo é um dos mais importantes pesquisadores das raízes étnicas do Brasil. Aos seis anos já sabia ler. Estudou Latim durante três anos com o mestre João Tibúrcio. Em 1922, aprendeu a ler inglês, para acompanhar os viajantes pela África e Ásia. É dele a tradução comentada do livro Travels in Brazil, de Henry Koster, viajante inglês, obra das mais valiosas para o conhecimento e interpretação do Brasil, no início do século XIX. Autor de uma extensa obra, entre elas clássicos do pensamento brasileiro como “Dicionário do Folclore Brasileiro” e “História da Alimentação no Brasil”, Cascudo é reconhecido como um dos pilares para a construção da identidade nacional, embora não tenha suas obras amplamente divulgadas. O autor, considerado um dos mais importantes pesquisadores da cultura popular brasileira ––, vira, assim, personagem central de duas grandes ações culturais: uma exposição e uma série documental de TV. Com o título “Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa”, a mostra "O Tempo e Eu (e Vc)" homenageia sua vida e obra, em evento realizado em parceria entre a Casa da Ribeira (RN) e Instituto Ludovicus – Casa de Câmara Cascuda (RN), ambas instituições potiguares, através do apoio integral da família do folclorista, intelectual e etnógrafo potiguar e especialistas em sua obra. A mostra em São Paulo torna-se uma excelente oportunidade para os nordestinos (e outros brasileiros) ali residentes, permitindo o contato com o trabalho do maior estudioso da cultura brasileira, se constituindo num verdadeiro passeio pela cultura popular brasileira. A mostra contou com apoio de recursos parcialmente captados através da Lei Federal de Incentivo a Cultura – Lei Rouanet, estando entre os primeiros patrocinadores a empresa paranaense O Boticário e a cearense Marquise, além de parceiros importantes como a chef Ana Luíza Trajano, Secretaria de Cultura de São Paulo/ Museu da Língua Portuguesa, Academia Paulista de Letras, Academia NorteRiograndense de Letras, Global Editora e Expomus. "O grande legado de Cascudo foi registrar a vida das pessoas e valorizar brasis invisíveis", diz o curador Gustavo Wanderley. Em 600 m2, pode-se desfrutar de um passeio sinestésico pela infância do autor, pelas tradições orais ligadas às lendas e aos mitos (como o saci, o lobisomem), pelos gestos (o aperto de mãos, o abraçar), pelas festas (e o corpo do brasileiro que "não precisou aprender a dançar"), pelas fés. Um erudito que encheu cadernos de notas observando sem trégua os costumes do brasileiro, Luís da Câmara Cascudo ouviu escravos de "inesgotáveis recordações", leu vagarosamente receitas escritas à mão. "O alimento contém substâncias imponderáveis e decisivas para o espírito, a alegria, a disposição criadora, o bom humor", dizia o autor. No módulo "todo trabalho do homem é por sua boca", parte-se da obra "A História da Alimentação no Brasil", de quase mil páginas, reconhecida como referência. Foi nesse verdadeiro tratado que Cascudo iria esmiuçar a contribuição que os índios, os portugueses e os africanos deram à formação da nossa cozinha nacional.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
HepatiteC pode ter cura
http://www.nominuto.com/blogs-e-colunas/pacientes-com-hepatite-c-terao-tratamento-com-90-de-chance-de-cura/14179/ Pacientes com hepatite C terão tratamento com 90% de chance de cura Edmo Sinedino, 27 de julho de 2015 ministro1_09 Vi essa informação no twitter da jornalista Rosalie Arruda Câmara, super importante, e me lembrei logo de toda minha classe. Atenção boleirada dos anos 1970/80/90, vamos aos exames com o doutor Toinho Araújo, esse anjo que foi colocado em nosso caminho. Eu já fiz o exame, e confesso a vocês que escapei da doença por ter tido sempre um verdadeiro pavor de agulhas. Meu amigo Roberto Vital sabe disso. 90% dos casos de hepatite tipo C são curados, os outros 10% controlados. Medo do exame? Pior é descobrir muita tarde que tem essa doença. Hepatite é tratável, curável até, mas mata! Conheço vários caros de cura, amigos que levam, hoje, uma vida saudável e normal, felizes. Infelizmente, também testemunhei vários casos de morte por essa mesma doença. Por favor! Faça parte do primeiro grupo. Um simples exame e você sabe, se positivo, inicia o tratamento, uma nova geração de medicamentos praticamente zerou os casos de óbitos. Procure fazer o exame! Veja abaixo a matéria da Agência Brasil: Pacientes com hepatite C terão tratamento com 90% de chance de cura Aline Leal - Repórter da Agência Brasil Os pacientes da rede pública com hepatite C contarão com tratamento mais moderno e que, segundo o Ministério da Saúde, cura 90% dos casos, enquanto os medicamentos usados atualmente chegam no máximo a 47% de chance de cura. A expectativa do governo é tratar 30 mil pessoas em um ano. Os novos remédios provocam menos efeitos colaterais e custam menos aos cofres públicos. O tratamento atual custa US$ 24 mil por paciente. Agora, as combinações feitas com daclastavir, simeprevir e sofosbuvir custam US$ 9,6 mil por paciente. Os Estados Unidos adotaram os três remédios há um ano. “É uma revolução no tratamento da hepatite C, muito semelhante à que aconteceu com os coquetéis contra a aids”, disse o ministro. Segundo Chioro, o tempo de tratamento cai de nove para três meses. O ministro destacou uma melhoria na administração dos remédios hoje disponíveis, que são injetáveis, com o tratamento passando a ser por via oral. Outros pacientes beneficiados com o novo tratamento são os portadores de hepatite C que têm HIV/Aids ou que passaram por transplante de fígado. Eles não podiam ser tratados com o remédio que será substituído, porque as reações do organismo contraindicavam a medicação. Com os novos medicamentos, eles poderão se tratar contra a hepatite C. O novo protocolo clínico facilita também o diagnóstico da doença para o início do tratamento. Antes, para o paciente começar a se tratar, era necessário passar por uma biópsia, exame invasivo que não é feito em todo lugar. O diretor do departamento de HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, explica que, com a nova diretriz, o paciente vai primeiro passar pela triagem de posto de saúde. Caso seja necessário, será encaminhado para o serviço especializado, que indicará se há necessidade de mais exames. Todos os anos surgem cerca de 10 mil casos de hepatite C no Brasil. Ao todo, 120 mil casos da doença foram confirmados desde que surgiu o diagnóstico, em 1993. Mais de 100 mil pessoas fazem tratamento pelo Sistema Único de Saúde. A estimativa do Ministério da Saúde é que 1,4 milhão de pessoas estão infectadas, mas, como a doença não apresenta sintomas, a maioria não sabe. Foto:Elza Fiúza/Agência Brasil oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
sábado, 6 de junho de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Mercado de Notícias: documentário sobre jornalismo e democracia.
A diferença entre documentário e ficção é ética: conversa com Jorge Furtado
POR IMS
SINOPSE
O Mercado de Notícias é um documentário sobre jornalismo e democracia.
O filme traz os depoimentos de treze importantes jornalistas brasileiros sobre o sentido e a prática de sua profissão, as mudanças na maneira de consumir notícias, o futuro do jornalismo, e também sobre casos recentes da política brasileira, onde a cobertura da imprensa teve papel de grande destaque.
O surgimento do jornalismo, no século 17, é apresentado pelo humor da peça “O Mercado de Notícias”, escrita pelo dramaturgo inglês Ben Jonson em 1625. Trechos da comédia de Jonson, montada e encenada para a produção do filme, revelam sua espantosa visão crítica, capaz de perceber na imprensa de notícias, recém-nascida, uma invenção de grande poder e grandes riscos.
Vídeos | 16.09.2014
Abaixo:
O cineasta Jorge Furtado conversou com a jornalista Daniela Pinheiro, em bate-papo mediado por José Carlos Avellar, acerca de O mercado de notícias, seu mais recente filme que mescla ficção e documentário e aborda o cenário contemporâneo do jornalismo brasileiro. A mídia pode ter sido tema de vários grandes filmes americanos e europeus, mas no Brasil, o assunto ainda é tabu, afirma Furtado, que entrevistou diversos repórteres e jornalistas com opiniões divergentes para suscitar uma infinidade de questões sobre a função do jornalismo. Assista abaixo ao bate-papo na íntegra:
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Gloria Alvarez sobre Populismo - Legendado Publicado em 7 de nov de 2014 Entre 17 e 19 de Setembro de 2014, a Rede Iberoamérica LIDER organizou o 1o. Parlamento Iberoamericano da Juventude em Zaragoza, na Espanha. Foi lá que Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da Guatemala, fez uma apresentação sobre os males do populismo. O que ela diz explica muito do que ocorre no mundo, inclusive no Brasil. Assista e compartilhe. Categoria Educação http://londrinstant.blogspot.com.br/2014/11/o-populismo-usa-chantagem-e-manipulacao.html terça-feira, 4 de novembro de 2014 O populismo usa chantagem e manipulação de acordo com as necessidades das pessoas Em entrevista à TV Infobae, o analista político guatemalteco Gloria Alvarez, que revolucionou a rede social com o seu discurso anti-populista, disse que "um dos grandes problemas do populismo que ameaça a auto psicologicamente contra os governados" Tendo revolucionou a rede social com o seu discurso anti-populista, Alvarez Infobae falou com exclusividade para a TV, onde ele disse que "o populismo usa chantagem e manipulação pena fazer as necessidades básicas das pessoas." O diretor do projeto também National Civic Movement (MCN) da Guatemala, disse: "Um dos grandes problemas do populismo é que, quando um de seus representantes é poder, psicologicamente atento à auto-estima dos governados". Alvarez tinha revolucionado redes sociais e populismo desmascarado na América Latina com um discurso no Parlamento Ibero-Americana da Juventude realizada na cidade espanhola de Zaragoza discurso. Durante as sessões do evento realizado na cidade Ibérica acima mencionado, chamado "Democracia e Participação Política", Alvarez apontou para os perigos do populismo para as instituições democráticas e como ela destrói na América Latina. "O populismo procura desmantelar as instituições e depois reescrever constituições para acomodar os caprichos dos líderes corruptos que temos na América Latina", disse o diretor do Movimento Cívico Nacional da Guatemala. Por esta razão, o cientista político sugeriu, "populismo de desmantelar através da tecnologia, porque o debate esquerda-direita já é utilizado por mais populista do que as pessoas que estão tentando resgatar as instituições." "Mas o populismo não chegou ao poder por acaso, e é também a nossa parte, não só denunciar as atrocidades cometidas contra o populismo nossas instituições, mas também reconhecer o péssimo trabalho de sistemas de governo que o precedeu e levou à absoluta populações de crise em desespero recorreram a esses líderes, por vezes através de meios democráticos e, portanto, justificar a sua permanência no poder ", acrescentou. Falante da Guatemala acrescentou: "Isso é mais do que a esquerda e direita, devemos falar sobre o populismo contra república, a república porque é garantido que as instituições realmente estaduais." Além disso, Gloria Alvarez criticou o péssimo trabalho que fizeram muitos governos no passado e levou a líderes populistas ganhar terreno na região. O bacharelado em Ciência Política convidou os presentes na cena do crime para derrotar esta tendência através da tecnologia e da educação, acreditando que "a admiração que existe em países como a Guatemala por regime cubano e venezuelano carece de razão e do conhecimento, América Latina, porque poucas pessoas reconhecem as atrocidades do regime de Chávez e violações dos direitos humanos que está sendo cometido. " Ele também esclareceu que "a tendência populista joga para a necessidade de pessoas para impor uma ditadura, o cancelamento da dignidade, porque é um adiamento da pobreza, a ignorância e manter as pessoas subjugadas sob a ilusão de que só bens materiais são aqueles que importam quando se trata de votar. " Finalmente, propõe o desmantelamento populismo usando a tecnologia e tendo como bandeira da república, para resgatar as instituições com base na razão, na lógica, argumentos e troca de idéias. As frases mais marcantes - "O populismo procura desmantelar as instituições ' - "Mais do que apenas a esquerda e direita, agora devemos falar de populismo contra República" - "O populismo ama os pobres tanto que se multiplica" - "O populismo joga com a necessidade de pessoas para impor uma ditadura" - "Na América Latina, são poucos os que conhecem as atrocidades do regime de Chávez" - "O populismo submetido a pessoas sob a ilusão de que as coisas só materiais matéria ao votar" - "A admiração pelo regime cubano e venezuelano carece de razão e do conhecimento" - "O populismo de desmantelar através da tecnologia" Infobae
domingo, 10 de agosto de 2014
Fernando Haddad cercado pela mídia que mata...
http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=18150
Seis razões para defender Fernando Haddad
Outras Palavras –
Administrando cidade falida, cercado pela mídia, esquecido por seu partido, prefeito resiste. Confronta interesses poderosos. Inova. Como aproveitar esta oportunidade rara?
Por Ermínia Maricato, em Carta Maior
Considerando o histórico da cidade de São Paulo, não ter uma “raposa guardando o galinheiro” já significa uma grande vantagem. É claro que a defesa de Fernando Haddad não pode se esgotar no mal que o prefeito deixa de fazer como os assaltos costumeiros que essa cidade tem vivido ao longo de sua vida, com exceção de alguns períodos. No entanto, esse argumento não é pouco importante para iniciar estas linhas.
Vamos começar lembrando as forças que intensificaram seu comando sobre as cidades brasileiras nos últimos anos. Dificilmente, no reino do analfabetismo urbanístico (e tantos outros analfabetismos que caracterizam a dominação da informação na sociedade brasileira), os moradores de São Paulo se dão conta da articulação de interesses daqueles que a transformam em um grande negócio. A tragédia urbana que vivemos cada dia não é fruto do acaso. O exemplo que salta aos olhos são as obras viárias que mais desorganizam do que organizam a mobilidade na metrópole. A cada 10 ou 15 anos, uma confluência de interesses impõe aos fundos públicos uma lista de obras viárias de orientação absolutamente questionável para o desenvolvimento urbano mas funcional para abrir espaço para a especulação imobiliária e para os automóveis. Empreiteiras, mercado imobiliário e indústria automobilística, ligados ao financiamento de campanhas eleitorais, desenham mais as cidades do que os Planos Diretores.
A grande mídia, engordada por anúncios publicitários de imóveis e automóveis, insistentemente repete que “falta planejamento urbano”. A relação entre mobilidade e uso do solo é o nó górdio do planejamento urbano como insistem congressos históricos de urbanistas pelo mundo afora. Mas dominar a produção da cidade real subordinando determinados interesses para cumprimento de bem intencionados planos está na esfera da política e não do planejamento. Desde que os bondes foram banidos da cidade, na primeira metade do século passado, seguindo pressão do transporte sobre rodas, de inspiração norte-americana, São Paulo tem sido objeto de obras rodoviaristas que priorizam o transporte individual.
Poderíamos fazer um balanço a partir do plano de Avenidas do prefeito Prestes Maia que impermeabilizou vários e importantes fundos de vale (calhas naturais de drenagem), mas lembremos de um evento um pouco mais recente: um assalto à cidade previsto nas 8 mega obras viárias iniciadas na gestão municipal de Janio Quadros (1985) – que contemplavam todas as grandes empreiteiras nacionais, enquanto o transporte coletivo permanecia em segundo plano. Parte delas (túneis, viadutos, pontes, abertura de vias) foi paralisada na gestão de Luiza Erundina (que sofreu verdadeiro massacre midiático) e depois retomada, e ampliadas em número, na gestão seguinte de Paulo Maluf.
Um exemplo mais recente, modelo de insustentabilidade ambiental, pode ser encontrado no bilionário alargamento da Marginal do Rio Tietê que ampliou a impermeabilização da margem do rio e contrariou manifestação pública de mais de 30 doutores em planejamento urbano. Como foi previsto pelos urbanistas, essa obra não entregou o que prometia e hoje temos ali mais espaço para o congestionamento de veículos que, parados, contribuem para poluir ainda mais o pouco saudável ar da cidade. Poderíamos lembrar outras intervenções que sangram os fundos e contrariam o interesse público como a extensão das Avenidas Faria Lima, Berrini e Águas Espraiadas resultante de uma clara articulação de capitais (e governos municipais de plantão) que foi estudada em vários trabalhos acadêmicos.
A lista de exemplos poderia ser engordada pelos projetos que, neste momento de boom imobiliário, assolam todas as cidades brasileiras prometendo um cenário glamuroso, revitalizado, renovado, e coisas semelhantes — mas que entregam mais especulação, segregação, privatização do espaço público e carência habitacional para a maioria da população, exatamente aquela que não alcança os preços explosivos. Aí estão, entre outros, o “Novo Recife”, a “Nova BH”, o “Porto Maravilha” (este no Rio de Janeiro). Mas aí está também o Arco do Futuro que, na atual correlação de forças, dificilmente escapa das forças hegemônicas.
São Paulo, na segunda década do século XXI, vive um quadro de intenso congestionamento e forte processo de especulação imobiliária. Os congestionamentos batem recordes a cada dia e o aumento do preço do metro quadrado dos imóveis ultrapassou, entre 2009 e 2012, os 154%. Como repetiu a Revista Exame na capa de recente número: “É a maior alta do mundo”. Trata-se de um processo que desestrutura a cidade e expulsa os mais pobres devido à alta dos aluguéis. Ela se torna ingovernável.
Assim como no período de Luiza Erundina, Fernando Haddad tem sido apontado como responsável por problemas que são de natureza metropolitana, mais do que municipais. Parte da população que trabalha em São Paulo mora em outros municípios. Pesquisa recente do Seade mostrou que 20% das empregadas domésticas que trabalham no município moram fora dele. O transporte, reconhece o levantamento, é um dos maiores problemas vividos por essas mulheres que estão entre os trabalhadores de mais baixos salários. Em alguns casos, até 30% das viagens de um município, como Taboão da Serra, da Região metropolitana, tem como destino a cidade de São Paulo. Da mesma forma, parte dos manifestantes que ocupa terrenos em São Paulo, premida pelo insustentável aumento dos aluguéis e má qualidade dos transportes, vem de outros municípios. Mobilidade tem tudo a ver com habitação.
Ao invés de ampliar as alternativas de habitação, o atual boom imobiliário, em ambiente de disputa desregulada pela terra urbanizada, expulsa os mais pobres para mais longe. Assim como os principais problemas do município de São Paulo são metropolitanos, o mesmo acontece com os demais municípios da Região Metropolitana. Com a palavra os prefeitos dos municípios que, na região metropolitana, têm papel de dormitório da população trabalhadora pobre. A Região Metropolitana de São Paulo, uma das maiores manchas urbanas contínuas do mundo, é gerida como se fosse uma colcha de retalhos, composta de 39 municípios, cada um apontando para um rumo com seu prefeito e Câmara Municipal defendendo interesses pontuais.
A coerência indispensável da gestão metropolitana não é cobrada por ninguém. Problemas como enchentes, mobilidade, saneamento, habitação, saúde, educação, meio ambiente dependem, obviamente, de abordagem metropolitana ou até macrometropolitana — se atentarmos para os corredores que ligam são Paulo a Santos e Campinas. A Constituição Brasileira de 1988 remeteu a questão metropolitana para a definição das constituições estaduais e gestão dos governos estaduais. Mas quem se interessa pela complexa administração das metrópoles? Quem cobra os diversos governos estaduais pelo desprezo em relação a essa importante tarefa?
Após o alerta para o cenário das metrópoles desgovernadas, vamos apontar os pontos positivos do atual governo municipal de São Paulo:
MOBILIDADE – Quando Haddad foi eleito, a cidade passava pela iminência de mais uma armação que listava uma relação de novas obras, embora estivesse fortemente endividada. Felizmente, as jornadas de junho de 2013 colocaram a mobilidade urbana na agenda política brasileira. Enquanto as cidades se entupiam de automóveis, o transporte coletivo se afundava em ruínas impondo um sacrifício imenso e diário à população. Pressionado pelas jornadas de 2013, o prefeito Fernando Haddad decidiu cancelar o início das obras de um túnel, que o prefeito anterior se apressou a deixar licitadas para seu sucessor executar. O túnel, que fazia parte da Operação Urbana Águas Espraiadas, tinha orçamento inicial de R$ 1,5 bilhões (que poderia exceder a arrecadação prevista pela Operação) e não admitia tráfego de ônibus.
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Para enfrentar a imensa crise de transporte na cidade, o governo municipal reagiu, no início do primeiro ano, com a solução de curto prazo que estava à mão: os corredores de ônibus, dando clara prioridade ao transporte coletivo sobre o individual. Parece simples e óbvio. O Brasil é reconhecido internacionalmente pelos projetos de corredores de ônibus e o transporte coletivo é prioridade em todos os Planos Diretores, todas as campanhas eleitorais, todos os programas de governos, mas infelizmente não o é na realidade da gestão das cidades. Foi dado início à implantação imediata de novos corredores, sem grandes obras ou gastos num primeiro momento. Os dados mostram que o tempo de muitos percursos de transporte coletivo já foi reduzido embora os congestionamentos continuem extravasando as centenas de quilômetros como não podia deixar de ser — já que a compra de automóveis foi potencializada pela exoneração dos impostos, definida como estratégia federal de retomada do crescimento econômico.
COMBATE À CORRUPÇÃO - Também no começo da gestão, criou-se a Controladoria Geral do Município, que desvendou um esquema milionário de corrupção envolvendo funcionários públicos na aprovação de projetos e emissão de alvarás. Corrupção e especulação andam de mãos dadas. Poucos temas são mais importantes do que o achaque aos cidadãos por meio do uso da máquina administrativa pública, nos governos. A grande mídia, aparentemente muito sensível a esse tema, não só não deu a importância devida ao fato, como tentou incriminar o próprio governo. A Controladoria Geral do Município foi criada legalmente bem como a carreira de controlador com 100 cargos iniciais.
PLANEJAMENTO – Há um claro esforço de planejamento e enfrentamento dos problemas financeiros, como mostram o Plano de Metas e o planejamento financeiro apresentados à público no Conselho da Cidade de São Paulo. O Plano Diretor Estratégico (PDE) foi bastante discutido e constitui uma peça importante para o futuro do município, caso seja implementado e não tenha o destino do Plano de 2002. Detalhes inovadores de desenho urbano poderão, se implementados e continuados, assegurar um padrão de maior qualidade da mobilidade urbana e dos espaços públicos. A cidade recuperou a zona rural, ao sul do município, com a finalidade de a) dar sequencia e capacitar para a produção orgânica os pequenos produtores de alimentos, b) desenvolver atividade turística e c) preservar a mata nativa, visando proteger a produção de água na Bacia do Capivari- Monos. Sim, São Paulo tem mata nativa de alta biodiversidade. Quantas cidades no mundo podem apresentar essa condição? Mas, sim, há pressões para destruir o que resta desse patrimônio sob a forma de matas e águas. Que o digam os ativistas do movimento Aeroporto em Parelheiros, Não!, que, juntamente com os militantes do MTST fizeram a legítima pressão sobre a Câmara Municipal para aprovação do substitutivo do PDE.
Se os moradores de São Paulo não conhecem o paraíso natural que fica próximo de suas casas é devido ao padrão de alienação que predomina na relação entre a sociedade e seu território, no Brasil. Como urbanista, dificilmente deixaríamos de achar detalhes a serem melhorados neste PDE. Gostaríamos de ver a Cota de Solidariedade restrita ao pagamento em terra; gostaríamos de ter certeza de que o aeroporto privado não vai se instalar em Parelheiros; gostaríamos de ver mais ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social, que de fato garantissem um mix de renda em bairros centrais desta cidade — uma das mais desiguais da América Latina. Mas a simples aprovação do Plano já é um avanço e cabe à parcela da sociedade que o apoiou ficar alerta para sua implementação .
Outras medidas, como a lei que prevê o alargamento das vias que receberão corredores de ônibus e ciclovias, também podem garantir um futuro melhor para a cidade. O mesmo acontece com as iniciativas que buscam modificar a lei do zoneamento, tornando-a mais original, inovadora e adequada para nossa realidade urbana. Recuperar o espaço público e a calçada para os pedestres é uma das mais importantes tarefas dessas propostas.
PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA – A criação das secretarias de Direitos Humanos, da Igualdade Racial e de Política para as Mulheres; a reativação de nove Conselhos Temáticos como Saúde, Educação, Habitação, entre outros e a instalação do Conselho da Cidade de São Paulo, que reúne representantes dos moradores de rua aos empresários da construção civil num mesmo espaço revela a confiança na participação social e no jogo aberto.
HUMANIZAÇÃO E DIÁLOGO – A Operação Braços Abertos revelou uma nova forma de tratar os dependentes de droga. Resultou da articulação de vários órgãos de governo que raramente trabalhavam juntos. Com essa articulação, uma favela que assustava a cidade foi desmontada pacificamente em um dia e seus moradores, doentes, dependentes de droga, encaminhados para pensões e tratamento voluntário.
A ampliação dos centros de triagem de reciclados, com a organização de cooperativas de catadores, tem efeito no meio ambiente diminuindo o lixo descartado e gerando trabalho e renda com a reciclagem.
A originalidade e amplitude da política de cultura, envolvendo jovens na periferia com a arte e a cultura são iniciativas que mostram a forma mais eficiente de combater o crime e a violência na cidade. O comitê Juventude Viva reúne 25 gestores voltados para os jovens e as jovens, especialmente negros, das periferias urbanas. O resultado dessas ações depende de sua continuidade portanto não é decorrente do calendário eleitoral.
SEGURANÇA ALIMENTAR – A conquista do Programa de Aquisição de Alimento do Governo Federal (PAA) para São Paulo promete melhor alimentação nas escolas e outros órgãos públicos, bem como garante sobrevivência para os produtores agrícolas, que têm como permanecer produzindo nas bordas da metrópole. O meio ambiente também se beneficia com a manutenção da produção agrícola, especialmente de produtos cultivados sem agrotóxicos.
Alguns dias atrás eu diria que o maior feito do prefeito estava na escolha dos subprefeitos. Ao invés das indicações costumeiras de vereadores o prefeito nomeou, contra a tendência geral, técnicos de carreira, arquitetos e engenheiros (e não militares aposentados como muitos, na gestão anterior), conhecedores da cidade e da máquina municipal. Essa impessoalidade no critério nega a tendência patrimonialista brasileira, afirma o profissionalismo. Aparentemente a aprovação do Plano Diretor custou a indicação de 12 subprefeitos. Muitos argumentam que a competência técnica não garante necessariamente um bom gestor assim como o critério da indicação de aliados não implica necessariamente na privatização da máquina pública. Como sempre, a melhor solução está na cidadania ativa acompanhando e cobrando o subprefeito que, afinal, está mais próximo.
Não se trata aqui de fazer uma relação de realizações da prefeitura de São Paulo na gestão Fernando Haddad pois isso é tarefa do setor de comunicação. Este, por sinal, poderia ser mais eficiente embora seja preciso reconhecer que está difícil romper o muro midiático.
Tratou-se isto sim, sem a preocupação que exigiria um levantamento exaustivo, de lembrar que há uma aposta no diálogo, nos laços comunitários, no desarmamento, na expressão da cultura social, no respeito aos direitos legais e ao meio ambiente.
Mas é preciso lembrar também que as conquistas possíveis numa máquina municipal como essa, nesse momento, têm limites. Elas dependem da herança recebida, do contexto encontrado e da correlação de forças. A herança é terrível e o contexto é adverso se considerarmos o endividamento do município e o massacre midiático. Os valores conservadores são apregoados sem pudores especialmente pela televisão que constitui canal de informação para 97% da população. Nem o partido do prefeito e, por vezes, nem o próprio time dos aliados que integram o governo saem à luta na defesa do governo. De um modo geral, não há respostas aos ataques midiáticos e nem parece haver uma estratégia alternativa de comunicação com a maioria da sociedade que é objeto das políticas municipais.
Não me refiro aqui à luta pelo poder eleitoral, que não deixa de ter sua importância, mas à luta por uma política urbana que a sociedade tome como sua e que a torne sujeito da história da cidade, o que é muito mais importante. Temos a rara oportunidade de exercitar a democracia urbana em São Paulo em que pese a grande dificuldade da polícia lidar com ela. E ela não se dá sem conflitos porque há muita coisa em jogo. A expressão de conflitos é natural na vida democrática.
Apenas o pensamento único não quer reconhecer essa evidência.









