Lula prestigia Conferência Gay
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5/6/2008
Presidente Lula comparece à abertura da 1a Conferência Nacional GLBT e levanta a bandeira gay
Por André Fischer, de Brasília
Momento histórico para o movimento glbt brasileiro. Pela primeira vez um presidente da República abre uma conferência deste teor, e levanta, literalmente, a bandeira do arco-íris.
Na abertura do evento, Lula – acompanhado de vários ministros de estado e da primeira-dama – surpreendeu ao manifestar inequívoco apoio à causa e ao dar abertas manifestações de simpatia a gays, lésbicas e travestis. É a primeira vez que Lula fala abertamente sobre o tema.
A 1ª Conferência GLBT, encontro que faz parte das comemorações dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos e que pretende dar as diretrizes da luta por direitos civis glbt no Brasil. Ela é tida como a primeira no gênero convocada por um chefe de estado, foi organizada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e conta com a presença de observadores de 14 países. Ela foi convocada por decreto presidencial no final do ano passado e desde então vem-se especulando sobre a presença de Lula. E ele foi!
Do Brasil vieram 600 delegados, a maioria escolhidos em conferências estaduais que aconteceram durante o ano. O convite pedia como traje passeio completo. Boa parte entendeu como terno e gravata, muitos como traje afro. As drags e travestis aproveitaram para arrasar nos longos. Algumas foram de jeans e camisetas engajadas.
O evento acontece no Brasil 21, centro de convenções do complexo Meliá em sala com 800 lugares, no setor hoteleiro sul em Brasília. A abertura, marcada para às 19h, teve um atraso de hora e meia e superlotação. Mas valeu.
Quem iniciou os trabalhos foi o Secretario de Direitos Humanos Paulo Vanucchi com um longo discurso que deixou clara sua intenção de dar credibilidade à questão glbt. Ele relembrou o holocausto, a luta do atual governo contra a fome, citou homossexuais famosos de Sócrates a Oscar Wilde e igualou a causa glbt à luta a dos negros. Ao dizer que "A homofobia é incompatível com a democracia" foi longamente aplaudido de pé. Terminou seu discurso dando três recomendações ao movimento gay presente: Não se perder em disputas internas, entender que os adversários são pessoas presas a tabus usando mais estratégias de convencimento do que de enfrentamento e entender que a luta glbt se entende como parte de outras lutas de direitos humanos como a de crianças, deficientes, negros e idosos.
Depois veio o sucinto discurso da líder da Rede AfroGLBT , Nega Cris.A presidente da Antra Fernanda Benevutti foi saudada por gritos, principalmente de travestis. Emocionada ele declarou que a conferência "é fruto do sangue derramado por muitos companheiros e companheiras". Durante sua fala um grupo levantou um enorme cartaz com fotos de travestis assassinadas.
O presidente da ABGLT Toni Reis começo dizendo a Dona Marisa que ao se assumir aos 14 anos para sua mãe, ela lhe disse que ele era doente. Hoje apóia totalmente o casamento com seu companheiro David. "Minha mãe mudou, o Brasil pode mudar". Aplausos e gritos fervorosos. Ele cobrou do presidente metas, prazos e dotação orçamentária para a questão glbt. "Lula, sem dinheiro não se faz política". O presidente riu bastante, concordando.
Toni ainda fez o que chamou de "um grande pedido": a aprovação de um estatuto glbt, nos moldes do estatuto da criança e do adolescente, e a aprovação da criminalização da homofobia. Propôs então um slogan para o evento: "Nem menos nem mais, Direitos Iguais", grito de guerra repetido várias vezes pelo plenário. No final, deu uma bandeira de arco-íris a Lula e bonés de arco-íris para o casal presidencial. Eles usaram e se deixaram fotografar fartamente.


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