Potiguar Queer

A fala dos que estão fora, para além da ordem. Resgata os ambíguos e os sexualmente excluídos.

domingo, 6 de julho de 2008

Brasileiras e sexo

Sexo precoce
Editorial
Folha de S. Paulo,
São Paulo, domingo, 06 de julho de 2008
AS BRASILEIRAS estão fazendo sexo cada vez mais novas. A recém-divulgada Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, realizada por encomenda do Ministério da Saúde, mostra que, em 2006, 32,6% das jovens diziam ter tido a primeira relação aos 15 anos ou antes. Em 1996, esse índice atingia apenas 11,5%. É um aumento de quase três vezes.
Tal dado, embora possa deixar alguns pais em desassossego, não é motivo para grande preocupação. Comparações internacionais como as periodicamente realizadas pelo instituto Guttmacher mostram que não há uma correlação fatídica entre níveis de atividade sexual e as complicações que se desejam evitar, como a gravidez não-planejada e as doenças venéreas.
Pelo menos nas nações mais desenvolvidas, a idade em que as garotas têm sua primeira relação sexual e a freqüência com que se dedicam à atividade variam pouco. Já as taxas de gravidez precoce e aborto são as mais díspares possíveis. Nos EUA, por exemplo, ocorrem 53 nascimentos anuais por grupo de mil jovens entre 15 e 19 anos, contra 5 na Suíça e na Dinamarca e 4 no Japão.
Nessas estatísticas do Fundo de População da ONU, relativas a 2002, o Brasil aparece com 73 nascimentos por milhar de meninas, bem longe do campeão Níger, que ostenta 233.
São vários os fatores que determinam tais diferenças. O mais poderoso deles, que rasga um fosso entre as nações mais ricas e as em desenvolvimento, são os anos de escolaridade. Mesmo no Brasil, que não é nenhum Níger, meninas com mais de 12 anos de estudo têm seu primeiro filho com 26 anos, contra 19 das que só contam com 3 anos de instrução. A educação ainda é o melhor contraceptivo.
Outro elemento relevante para evitar as complicações do sexo é o fácil acesso a preservativos e outros meios de evitar filhos bem como a serviços de saúde reprodutiva. Em suas análises, o instituto Guttmacher destaca ainda a aceitação social da atividade sexual de jovens. O problema não reside em fazer sexo, mas sim em deixar de fazê-lo de forma responsável. (Ilustração)

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